Quando se fala de rodas industriais — seja para carrinhos, linhas de produção, sistemas logísticos ou veículos autónomos como AGV e AMR, trómeís ou qualquer outro tipo de projeto à medida — há um dado técnico que aparece constantemente e que, no entanto, nem sempre é bem compreendido: a dureza Shore.
É habitual ver descrições como “roda de poliuretano 92 Shore A” ou “rodagem 75 Shore D” e assumir que “quanto mais alto, melhor”. A realidade é bastante mais complexa.
Compreender o que significa Shore A e Shore D, como se medem e, sobretudo, como influenciam o comportamento real de uma roda industrial, é fundamental para escolher corretamente e evitar erros que suponham problemas no orçamento: desgaste prematuro, ruído excessivo, vibrações, danos no pavimento ou perda de tração.
O que é a dureza Shore?
A dureza Shore é uma escala que mede a resistência de um material à penetração.
Dito de forma simples: mede quão macio ou rígido é um material elastomérico ou plástico quando se lhe aplica uma força pontual.
Não mede resistência mecânica, nem carga máxima, nem durabilidade direta. Mede sensação de dureza superficial, mas essa sensação tem consequências práticas enormes numa roda industrial.
A medição é realizada com um instrumento chamado durómetro, que pressiona uma agulha normalizada contra o material e devolve um valor numérico. Quanto maior é o número, mais duro é o material. Quanto menor, mais elástico e deformável.
Porque existem diferentes escalas Shore?
Nem todos os materiais se comportam da mesma forma. Por isso existem diferentes escalas Shore, cada uma pensada para uma gama concreta de durezas. Em rodas industriais, as duas escalas relevantes são:
- Shore A
- Shore D
Utilizar uma ou outra dependerá do tipo de material.
O que é a dureza Shore A?
A escala Shore A é utilizada para materiais elastoméricos relativamente macios:
- Borracha natural
- Borracha sintética
- Poliuretanos elásticos
- Borrachas técnicas
Em termos práticos, Shore A mede materiais que se deformam com facilidade sob carga.
Gamas típicas em rodas industriais (Shore A)
- 60–70 Shore A → Muito macio, alta absorção de vibrações
- 75–85 Shore A → Compromisso entre conforto e resistência
- 90–95 Shore A → Muito duro dentro da escala A
Uma roda de 93 Shore A, por exemplo, continua a ser um material elástico, embora firme.
Como se comporta uma roda Shore A?
Uma roda com dureza Shore A não é apenas “mais macia”. O seu comportamento muda dinamicamente em função de carga, velocidade, temperatura e superfície.
- Absorve melhor as vibrações
- É mais silenciosa
- Protege melhor o pavimento
- Tem maior aderência
- Deforma-se ligeiramente sob carga
Em contrapartida:
- Maior resistência à rodagem
- Menor eficiência energética
- Mais geração de calor
- Menor capacidade de carga que materiais mais rígidos
Por isso é habitual em ambientes onde o conforto, o ruído ou a proteção do pavimento são críticos.
Rodas industriais
O que é a dureza Shore D?
A escala Shore D é utilizada para materiais muito mais rígidos:
- Poliuretanos de alta dureza
- Plásticos técnicos
- Termoplásticos industriais
Aqui já não falamos de elasticidade “tipo borracha”, mas de comportamento quase plástico.
Gamas típicas em rodas industriais (Shore D)
- 60–65 Shore D → Duro, mas ainda com ligeira elasticidade
- 70–75 Shore D → Muito rígido
- 80+ Shore D → Extremamente duro
Como se comporta uma roda Shore D?
Uma roda Shore D:
- Deforma-se muito pouco
- Suporta cargas elevadas
- Tem baixa resistência à rodagem
- É muito eficiente energeticamente
- Oferece grande estabilidade dimensional
Em contrapartida:
- Transmite mais vibrações
- É mais ruidosa
- Pode danificar pavimentos delicados
- Menor aderência em superfícies irregulares
Por isso é habitual em logística pesada, automatização industrial e sistemas AGV/AMR de alta precisão.
Shore A vs Shore D: diferenças fundamentais em rodas industriais
Embora ambos os valores meçam “dureza”, não são comparáveis diretamente. Um 90 Shore A não é equivalente a um 90 Shore D.
| Característica | Shore A | Shore D |
|---|---|---|
| Tipo de material | Elastomérico | Rígido / plástico |
| Deformação | Alta | Muito baixa |
| Conforto | Alto | Baixo |
| Ruído | Baixo | Mais elevado |
| Capacidade de carga | Média | Alta |
| Eficiência energética | Média | Alta |
| Proteção do pavimento | Muito boa | Variável |
Como influencia a dureza Shore no desempenho real de uma roda?
Aqui é onde o dado deixa de ser teórico.
1. Capacidade de carga
A maior dureza, menor deformação e, portanto, maior capacidade de carga efetiva.
Uma roda demasiado macia para a carga real:
- Achata-se
- Aumenta a superfície de contacto
- Aquece
- Degrada-se antes

2. Resistência à rodagem
As rodas mais macias consomem mais energia.
Em sistemas automatizados (AGV / AMR), isto traduz-se em:
- Menor autonomia
- Maior consumo elétrico
- Maior desgaste do sistema
Por isso em intralogística avançada tende-se para Shore D ou poliuretanos técnicos de alta dureza.
3. Ruído e vibrações
Aqui ganha Shore A.
Em ambientes:
- Hospitalares
- Alimentares
- Zonas de trabalho humano contínuo
Uma dureza mais baixa reduz:
- Ruído estrutural
- Vibrações transmitidas
- Fadiga do operador
4. Desgaste do pavimento
Não é apenas a dureza, mas influencia muito.
- Shore A → mais “amigável” com pavimentos delicados
- Shore D → requer pavimentos industriais preparados
Um erro típico é montar rodas demasiado duras em pavimentos não concebidos para tal.
Que dureza Shore escolher segundo a aplicação?
Não existe uma dureza “melhor”. Existe a adequada para cada tipo de aplicação e condições ambientais.
Aplicações típicas Shore A
- Carros manuais
- Ambientes sensíveis ao ruído
- Pavimentos delicados
- Transporte ligeiro
- Zonas com pessoas
Aplicações típicas Shore D
- AGV e AMR
- Automatização industrial
- Logística pesada
- Cargas elevadas contínuas
- Precisão de guiamento
Fabricantes especializados como Räder‑Vogel trabalham com formulações de poliuretano que ajustam a dureza para otimizar exatamente estes compromissos.
Escolher rodas industriais Shore A ou Shore D
Compreender o que significa realmente a dureza Shore A e Shore D permite:
- Escolher a roda correta desde o início
- Evitar desgaste prematuro
- Reduzir consumo energético
- Proteger pavimentos e maquinaria
- Otimizar o desempenho global do sistema
Rodas industriais
Em rodas industriais, a dureza não é um detalhe técnico menor. É uma decisão estratégica. Na Slind Parts, somos distribuidores em exclusivo de rodas industriais Räder-Vogel em Espanha.